Passa-se o ponto

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Bom, enrolei o que pude antes de anunciar o inevitável: este Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro está baixando as portas.

Primeiro, porque um raio dum pau no Banco de Dados SQL sumiu com as imagens de cinco anos de posts; reinseri-las na unha (por mais que tivesse chegado a cogitar tal coisa) está, naturalmente, fora de questão.

Segundo, porque o UOL, onde hospedei o blog no mesmo período, andou querendo aprontar comigo na mesma proporção do que gasto com eles mensalmente. Talvez eu migre o conteúdo para outro host, mas isso ainda não é certo.

Terceiro, porque – e esta é uma boa razão – será um estímulo para eu colaborar com mais frequência no Brasil Post, onde cometi uns poucos textos nos últimos meses. Além de novos posts, minha intenção é reviver por lá alguns dos melhores deste finado. A gente pode se acostumar com a morte, mas não lidamos bem com a ideia de que o que andamos despejando na nuvem, em nosso nome, possa vir a desaparecer, como se nem tivesse existido.

Então, antes que esta página se apague (brrr), convido os eventuais interessados a visitar meu secos & molhados lá no Brasil Post (clique aqui). Favoritem, curtam, sigam.

Nos vemos. Abraços e beijos a todos.

William Burroughs, armado e perigoso

Que era perigoso, todo mundo sabe: em 1951, o futuro autor de Junky Almoço Nu matou acidentalmente sua mulher, Joan Vollmer, com um tiro durante uma brincadeira de tiro ao alvo. Ele afirmaria, mais tarde, que a tragédia mudaria dramaticamente sua relação com a literatura. Mas armado ele nunca deixou de estar, como mostra a galeria de fotos acima.

Clique em “FS” para ver em tela cheia.

Você, você e você

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Em um dos ensaios de Medo, Reverência e Terror (Companhia das Letras, 200 págs., R$ 39,50), Carlo Ginzburg analisa o sucesso publicitário dos cartazes patrióticos do seu-país-precisa-de-você. Embora o do Tio Sam seja o mais conhecido entre nós, essa é uma história que começa na Inglaterra. O primeiro a apontar o dedo em perspectiva (boa sacada) foi o secretário da Guerra, Lorde Kitchener, conclamando os súditos da rainha a se alistarem nas fileiras da Primeira Guerra Mundial. O sucesso foi tal que a ideia acabou replicada várias vezes, por diferentes países e ideologias: a Rússia comunista (o dedo ali é de Trotsky), os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália, todos naqueles mesmos anos turbulentos.

Tuítes & retuítes

A via-crúcis do proletariado

Se os filmes mais óbvios são inevitáveis nesta série de clipes pessoais, que sejam os melhores. Depois de O Sétimo Selo, é a vez do longo e difícil, mas visualmente poderoso, Andrei Rublev (1966), o segundo de Andrei Tarkovsky. Considerado por muitos o melhor filme “de arte” já feito, é uma “biografia inventada” do pintor de ícones russo do século 15, em que o xará cineasta inseriu uma reflexão pesada sobre a identidade e a sombria sina da Rússia. Claro que algumas passagens não agradaram nem um pouco os plutocratas do Kremlin em sua época.

Na cena, Tarkovsky transporta a paixão de Cristo para o gelo das estepes, enquanto Rublev discute em off com outro artista, mais velho (o cínico e desiludido Teófanes, o Grego), a culpa do povo na crucificação de Jesus: se ele também é mau ou se foi, na sua inocência, induzido ao ato pelos membros do Partido, ops, quer dizer, dos fariseus. Gosto do texto (falado em russo fica demais), mas gosto mais ainda da fotografia – das figuras humanas negras contra uma paisagem que dói de tão hostil, bonita e branca.

A íntegra do filme, com legendas em inglês, aqui e aqui. Em breve, tento subir no Youtube a versão com legendas em português, como prometi.

Uma casinha contra o tempo

Durante dois anos, o italiano Manuel Cosentino fotografou, do mesmo ângulo, o mesmo cenário: uma casinha na colina. O que muda, bem se vê, são as condições climáticas e de luz. O resultado é o Behind a Little House Project, que está em exposição até o dia 10/8 na Klompching Gallery, em Nova York. Claro que há más línguas dizendo que é Photoshop…

Mais uma vez: vale clicar em “FS” para ver as imagens ampliadas.

[Via Colossal]