Calvin, Hamlet e Morris Albert

Bill Waterson confessou mais tarde que achava esta umas das tiras mais estranhas que já tinha desenhado, e que ele mesmo não a entendia muito bem. Mas achava engraçada, que é o que importa.

Para a versão em português do monólogo de Hamlet (clique na imagem para ampliar), usei uma tradução já antiga, de 1969, assinada por F. Carlos de Almeida Cunha Medeiros e Oscar Mendes. Ah, sim, e para quem não faz a mínima ideia de quem é Morris Albert, basta dar uma olhada no verbete da Wikipedia. A música do brasileiro segue abaixo. Ouça, se quiser, por sua própria conta e risco.

Quatro atrizes em 16 mm

Hoje (quase) todo mundo tem (relativa) familiaridade com as câmeras de TV, e, se não tranquilidade, ao menos conhecimento da linguagem e da, digamos, “etiqueta” exigida pela ocasião. Mas, claro, nem sempre foi assim. Mesmo gente que se dá muito bem na frente das câmeras já teve suas dificuldades priscas eras atrás, quando a TV era uma novidade e toda a nossa cultura televisiva — hoje imensa — estava por ser formada.

No acervo da TV Tupi, digitalizado pela Cinemateca Brasil (ao qual já fiz referência, aqui), essas dificuldades de origem são muitos evidentes. Os vídeos que reproduzo nesta página, todos de 1968, mostram grandes atrizes brasileiras bastante atrapalhadas durante entrevistas. A exceção é Cacilda Becker que, acima, fala de providências após o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadir o teatro Galpão, em 18 de julho, e espancar atores e público da peça Roda Viva, peça de Chico Buarque encenada por Zé Celso.

Abaixo, Marília Pêra (que faria parte do elenco de Roda Viva naquele noite, aliás) toma o microfone do entrevistador, que o cede com uma sutil, mas clara, resistência. Antigamente, isso era algo que irritava muito o jornalista, hoje acho que nem acontece mais.

Abaixo, se repararmos bem, Fernanda Montenegro também segura o microfone, mas esse entrevistador está mais disposto a conservá-lo. Ela, muito segura hoje, também está evidentemente nervosa, incapaz de articular um discurso dos mais coerentes. Tanto neste quanto no último e quarto vídeo, o assunto é a greve que os atores fizeram em fevereiro de 1968 contra a censura. Os tempos começavam a ficar mais difíceis.

Aqui, Tônia Carrero mostra já possuir o estilo “gracinha” de falar. Seu discurso é articulado, mas parece ensaiado: ao “errar” (um erro que não entendi), ela se desconcerta um tanto, como se tivesse cometido uma falha em cena. Atrás dela está Odete Lara, que dá a impressão de estar se arrumando. Lá pelas tantas, a câmera busca Eva Todor que, ao lado de Dina Sfat, parece se divertir por estar sendo “filmada”.

No fim deste quarto video, temos, novamente, Cacilda Becker. E, mais uma vez, ela exibe uma segurança que parece inata. Devia mesmo ser uma força no palco. Quanto ao país, bem. Sabemos que as coisas iam ficar mais feias.

Publicado em 10/7/2009

BRAVO! de maio nas bancas

Está chegando às bancas a BRAVO! de maio. Na capa, Lady Gaga, fotografada por David LaChapelle. Quem assina a reportagem é Pedro Alexandre Sanches.

A edição traz ainda um texto de Eduardo Simantob sobre o fenômeno Roberto Bolaño, a propósito do lançamento no Brasil (finalmente) do romance póstumo 2666. Em cinema, Anna Rachel Ferreira Wagner Gorab falam sobre a recente militância de James Cameron na Amazônia. E, na série em homenagem a Noel Rosa, o dramaturgo pernambucano Newton Moreno escreve uma mini-peça sobre o compositor carioca.

BRAVO! de abril nas bancas

Está chegando às bancas a BRAVO! de abril. Na capa, Paulo José, fotografado por Daryan Dornelles. A reportagem, de Armando Antenore, mostra a rotina a que o ator se submente para controlar o mal de Parkinson e continuar atuando.

A edição traz também uma longa matéria, assinada por Cristiane Costa, sobre as novas possibilidades narrativas abertas por suportes eletrônicos de leitura como o iPad.

Em cinema, André Nigri escreve sobre o filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton. Em Artes Plásticas, André Albert fala das  influências – díspares – de Mário de Andrade e Monteiro Lobato na obra da Anita Malfatti, tema de uma retrospectiva em Brasília.

Três cafezinhos

São simpáticos os livrinhos da coleção Um Café Com.., lançandos pela editora ARX, trazendo com conversas fictícias com artistas, personalidades e intelectuais. São quatro volumes: Darwin, Michelangelo, Platão e Buda – todos com 144 páginas e preço de R$ 19,90. Sim, sim, estão longe de serem profundos ou geniais. Na verdade, vendem a superficialidade como valor, coisa que considero mais honesta do que tentar  transformar ideias rasteiras em exemplos de sabedoria – o popular gato por lebre.

Além disso, a síntese proporciona, vez ou outra,  alguma declaração reveladora das ideias do autor –  seja por ênfase, seja por ilustração:

“Dramaturgos são tão propensos a fraqueza e a tolice humanas que não podem servir a um propósito útil numa sociedade esclarecida. Por isso, ainda que com pesar, eu recomendo que todos os artistas imitativos sejam banidos do Estado.” (Platão)

(…) raramente me interessei por fazer retratos (…) Embora encantadora, a face tende a ser demasiado mutável para representar qualquer essência humana duradoura (…) A face humana é como a crista da onda – admirável e até intensamente bela, mas frívola.” (Michelangelo)

Se o mundo for bem mais complexo e menos confortável que a maioria das pessoas preferiria e isso causar problemas que elas achem difíceis de resolver, não posso fazer nada a respeito. Ficaria arrasado ao pensar que elas bateriam em retirada (…) simplesmente porque não conseguem encarar as consequências de pensarem por si mesmas.” (Darwin)

Teatro, para entender

Está chegando às bancas a edição especial da BRAVO! Para Entender o Teatro Brasileiro. A revista é a primeira de uma coleção que, ao longo do ano, abordará todas as áreas cobertas pela revista: música pop, música erudita, livros, dança, artes plásticas e cinema.

Neste primeiro volume, os textos são de Débora Pinto, Dirceu Alves Jr., Gabriela Mellão e Manoela Sawitzki. Conta ainda com um ensaio da crítica e tradutora Barbara Heliodora; uma entrevista com o ator Sérgio Britto; e um ensaio visual assinado pela fotógrafa Lenise Pinheiro, uma especialista em imagens do palco.

A edição é de Marcelo Musa Cavalari e deste que vos fala.

Emilia (LEGO)tti

Perdoado o trocadilho, esse videozinho pode ser divertido até para quem não entende patavina de alemão. Como eu. A peça é Emilia Galotti, de G. E. Lessing (1729-1781) – muito pouco encenada por aqui, aliás. Se alguém tiver curiosidade, há uma edição publicada no Brasil, com tradução de Fátima Saadi (editora Peixoto Neto, 184 págs., R$ 26,90).