Passa-se o ponto

the-reader

Bom, enrolei o que pude antes de anunciar o inevitável: este Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro está baixando as portas.

Primeiro, porque um raio dum pau no Banco de Dados SQL sumiu com as imagens de cinco anos de posts; reinseri-las na unha (por mais que tivesse chegado a cogitar tal coisa) está, naturalmente, fora de questão.

Segundo, porque o UOL, onde hospedei o blog no mesmo período, andou querendo aprontar comigo na mesma proporção do que gasto com eles mensalmente. Talvez eu migre o conteúdo para outro host, mas isso ainda não é certo.

Terceiro, porque – e esta é uma boa razão – será um estímulo para eu colaborar com mais frequência no Brasil Post, onde cometi uns poucos textos nos últimos meses. Além de novos posts, minha intenção é reviver por lá alguns dos melhores deste finado. A gente pode se acostumar com a morte, mas não lidamos bem com a ideia de que o que andamos despejando na nuvem, em nosso nome, possa vir a desaparecer, como se nem tivesse existido.

Então, antes que esta página se apague (brrr), convido os eventuais interessados a visitar meu secos & molhados lá no Brasil Post (clique aqui). Favoritem, curtam, sigam.

Nos vemos. Abraços e beijos a todos.

Retratos em vinil

Retratos em vinil

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Tem uma onda na internet de gente fazendo retratinhos de celebridades pop com materiais pouco ortodoxos. Um faz com queijo, outro com vinho — sem sacanagem, são coisas separadas, não cardápio prum dia de frio entre amigos. Apesar de algo engenhoso, têm um certo gosto (estético, friso) duvidoso, mas está aí o Vik Muniz com sua geleias e chocolates para provar que dá surfar nessa quase nova era sem tintas. Entre os escultores, tem uns excêntricos que picotam várias listas telefônicas para montar verdadeiros totens; outros michelangelos acham a cara da personalidade nas páginas de um livro.

Entre os que me parecem mais simpáticos está a série acima, feita pelo designer Alejandro de Antonio para o projeto Materiais Não-Convencionais da espanhola Art Room.

(Publicado em 5/10/2011)

Mixtapes

Não me entendam mal: eu pertenço à categoria de pessoas felizes com músicas em MP3, mas é claro que a passagem do mundo analógico para o digital nos fez perder um tanto de coisas boas. As capas de LPs são as mais óbvias, mas aqueles cassetes caseiros, com título e faixas identificadas com garranchos de BIC e canetinhas coloridas (e, no final, com fontes primitivas saídas de uma impressora matricial), são também daquelas coisas bacanas que vão para o museu das perdas a lamentar, embora inevitáveis. Com as imagens abaixo, Steve Vistaunet presta suas homenagens a essa artezinha perdida.

[Via Dangerous Minds]

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O micro-ondas canta em fá

O trecho abaixo é do livro Longe da Árvore – Pais, Filhos e a Busca da Identidade, de Andrew Solomon (Companhia das Letras, 1056 págs., R$ 79,50 na edição impressa, R$ 39,90 em e-book), mesmo autor do fabuloso O Demônio do Meio-Dia – Uma Anatomia da Depressão (Objetiva, 504 págs., R$ 67,90). No capítulo do livro dedicado aos filhos prodígios, trata principalmente das crianças com talentos musicais – e os eventuais problemas que podem surgir daí. Não tem nada a ver, mas lembrei desse vídeo de estética meio brega que exibe numa fita de Möbius (mundo, vasto mundo…) a genialidade do “crab canon”  de Bach. O que tem de comum aí, claro, é a música, a genialidade e a minha quase absoluta ignorância nesse mundo.

Para quem tem o ouvido absoluto, a identidade exata das notas é inconfundível. Um pesquisador mencionou uma mulher que tocou a escala do piano para a filha de três anos, dizendo o nome das notas; uma semana depois, o alarme do forno tocou e a menina perguntou: “O micro-ondas sempre canta em fá?”. Outra criança se queixava quando um de seus brinquedos, com a bateria fraca, tocava um quarto de tom mais baixo. (…) Um casal me contou que seu filho era capaz de identificar mais de cinquenta peças musicais aos dois anos de idade. Gritava “Mahler Quinta!” ou “Quinteto de Brahms!” Aos cinco anos, foi diagnosticado com autismo limítrofe.