A vida em Super 8

O clipe da música Postcards From Italy com imagens de filmes Super 8, da banda Beirut (uma dica preciosa da Flávia, thanks), já é um pouco antigo, mas é um dos exemplos mais bem-acabados de como as mídias podem absorver e reproduzir (com o tempo) um complexo de afetos. E como, por isso, adquirem um valor estético que não pode ser reproduzido em outras tecnologias.

Isso se aplica ao cinema em preto-e-branco, ao sépia de fotografias antigas, ao som de uma agulha riscando o vinil e, naturalmente, à imperfeição dos filmes Super 8 caseiros e mudos. Ok, são todas coisas antigas, mas as sensações que elas proporcionam não advêm, necessariamente, de uma renitente nostalgia: antes, todas elas nos dizem que há maneiras alternativas de experimentar o mundo. A imagem em alta definição e o som digital surround são sensacionais, mas eles não têm – como nenhuma tecnologia, nova ou velha — o monopólio dos nossos sentidos, das nossas memórias e dos nossos desejos.

O fato é que, na edição familiar e na brevidade das cenas em Super 8, o ser humano parece ser melhor do que realmente é. Na luz fria da película, parece se esconder um segredo de felicidade. Nessa espécie de fotografia em movimento, ditada pela economia de uma mídia cara e de tempo limitado, a vida parece ser melhor para quem está lá dentro. Tudo “parece”, e certamente trata-se de uma percepção ilusória. Mas o realismo, como já dissemos, não é tudo.

(Publicado em 1/5/2009)

A lei, ora, a lei…

No livro Essencial Franz Kafka (Penguin-Companhia, 304 págs., R$ 26), Modesto Carone comenta que o escritor tcheco se valeu mais de uma vez da famosa parábola Diante da Lei, que aparece em O Processo – aquele em que Josef K acorda, num dia qualquer, acusado de um crime que nunca descobrirá qual é. Escrita em 1915, a história foi destacada pelo autor do romance (na época inédito) para integrar o livro de contos Um Médico Rural (1919).

É essa a parábola, crucial, que serve de prólogo para a adaptação do romance para o cinema feita por Orson Welles em 1962, com Anthony [Norman Bates] Perkins, Jeanne Moreau e Romy Schneider no elenco. Na sequência, ela é ilustrada com a técnica pinscreen, em que pinos levantandos ou abaixados compõem as imagens num jogo de sombras tridimensional. Acompanhada pela voz tonitroante e dramática do próprio Welles, ao som do Adagio de Tomaso Albinoni, a cena fica bem sinistra.

Se os discos fossem livros – 3

Velho conhecido deste blog (ver aqui, aqui e aqui), Christophe Gowans (See Gee) agora imaginou álbuns clássicos como fileiras de livros meio ensebados, cada um com as músicas correspondentes às faixas. São sete: dois de Joy Division (Unknown Pleasures e Closer), um do New Order (Power, Corruption & Lies ) e quatro dos Smiths (The Smiths, Meat is MurderThe Queen Is Dead e Strangeways Here We Come). Reproduções estão à venda na Etsy, por coisa de £ 12,50.

Clique em “FS” para ampliar as imagens e ver se está tudo certinho.

[Via Book Patrol]

 

Lullalego

Legofanático nerd, especialista em filminhos que recriam cenas de livros e filmes como Harry Potter, Batman, Guerra nas Estrelas etc. com as pecinhas, o garoto tcheco Lukas Tuzar fez sua própria versão do videoclipe de Lullaby, do The Cure – clique aqui para comparar com o original, dirigido em 1993 por Tim Pope. Para ver as invenções de outros doidos por Lego que já saíram no blog, clique aqui, aqui e aqui. A dissidência (heresia?) fica por conta de outro clipe, do Joy Division, feito com Playmobil.

[Via Dangerous Minds, onde Tim Pope diz o que achou da nova versão]