A via-crúcis do proletariado

Se os filmes mais óbvios são inevitáveis nesta série de clipes pessoais, que sejam os melhores. Depois de O Sétimo Selo, é a vez do longo e difícil, mas visualmente poderoso, Andrei Rublev (1966), o segundo de Andrei Tarkovsky. Considerado por muitos o melhor filme “de arte” já feito, é uma “biografia inventada” do pintor de ícones russo do século 15, em que o xará cineasta inseriu uma reflexão pesada sobre a identidade e a sombria sina da Rússia. Claro que algumas passagens não agradaram nem um pouco os plutocratas do Kremlin em sua época.

Na cena, Tarkovsky transporta a paixão de Cristo para o gelo das estepes, enquanto Rublev discute em off com outro artista, mais velho (o cínico e desiludido Teófanes, o Grego), a culpa do povo na crucificação de Jesus: se ele também é mau ou se foi, na sua inocência, induzido ao ato pelos membros do Partido, ops, quer dizer, dos fariseus. Gosto do texto (falado em russo fica demais), mas gosto mais ainda da fotografia – das figuras humanas negras contra uma paisagem que dói de tão hostil, bonita e branca.

A íntegra do filme, com legendas em inglês, aqui e aqui. Em breve, tento subir no Youtube a versão com legendas em português, como prometi.

Uma casinha contra o tempo

Durante dois anos, o italiano Manuel Cosentino fotografou, do mesmo ângulo, o mesmo cenário: uma casinha na colina. O que muda, bem se vê, são as condições climáticas e de luz. O resultado é o Behind a Little House Project, que está em exposição até o dia 10/8 na Klompching Gallery, em Nova York. Claro que há más línguas dizendo que é Photoshop…

Mais uma vez: vale clicar em “FS” para ver as imagens ampliadas.

[Via Colossal]

Tuítes & retuítes

Leituras coloridas

A artista inglesa Jaz Parkinson deu de fazer representações gráficas, coloridas, de narrativas clássicas. Funciona assim: ela diz que cada vez que uma passagem da história “evoca uma cor em sua mente”, esta vai para uma planilha, depois para um gráfico. O resultado, define, é uma “assinatura” única para cada obra – uma leitura transformada em espectro de cor. São dez os livros colorizados, entre eles O Apocalipse, de João; Ratos e Homens, de John Steinbeck; Laranja Mecânica, de Anthony Burgess; A Estrada, de Cormac McCarthy; Alice nos País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Para quem se interessar, prints estão à venda na Etsy. Dá para encomendar também.

O de sempre: para ver em tela cheia, clique em “FS”.

Obra aberta na parede

Batizada de Errata Corrige, a série acima reúne algumas das obras da russa radicada na Itália Ekaterina Panikanova, que usa uma espécie de mosaico de livros antigos como tela. Parece óbvio um traço memorialista, um eco afetivo da infância. Esses eu acho bonitos. Para ver em tela cheia, clique em “FS”.

Outros exemplos de arte com livros, aqui, aqui e aqui.

[Via Colossal]