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Antiquário virtual

2010 July 26
by almirdefreitas

Nem só de futuro vivem as tecnologias digitais. Se o e-book se apropria das características de um suporte físico (o livro, com capa, folha de rosto e páginas) para tentar superá-lo, outros softwares caminham no sentido inverso. A ideia é recuperar as características antigas, do passado, numa lógica que não é utilitária: é apenas nostágica, naquela mescla de estética e afetividade que venho mencionando com certa frequência (aqui, aqui e aqui). É como se fossem fornecedores de antiquários virtuais, para quem não pode colecionar objetos físicos. O gosto pelo retrô e o vintage, contudo, é o mesmo.

Para iPod Touch, iPhone e iPad, a coleção de antiguidades é vasta. Na App Store, podem ser encontradas, por exemplo, máquinas de escrever  (no alto) como a miTypewriter para os todos os brinquedinhos (grátis na versão Lite para iPhone e US$ 0.99 para ambos).  Há também vários walkmans para tocar as músicas armazenadas no iPod e gravadores de fita cassete. Exemplos são o Thas’s My Jam (acima, à esq.) e o Retro Recorder (US$ 0.99 cada um) – este último, para memos e ditados, se gaba inclusive de gravar em mono. Não faltam também, obviamente, pick ups para “tocar” vinis, como o Gramophone (acima, à dir.), que custa US$ 0.99. Na versão 1.1, ele traz a “novidade” de reproduzir os ruídos e as imperfeições dos antigos aparelhos. Tudo em nome do realismo — ou da perfeita ilusão.

Mas há mais. Aplicativos de fotografia como o Shakelt (grátis na versão Lite e US$ 0.99) foram desenvolvidos não só para aplicar a luz de  uma polaroid  às fotografias tiradas digitalmente como também  para reproduzir a “revelação” da imagem, que vai surgindo aos poucos na tela (esse aí do lado sou eu, vadiando nas últimas férias). O dono do iPhone ou do iPod Touch também pode mesmo chacoalhar o aparelho para a foto ir aparecendo mais rapidamente, como antigamente. Outros programas, bem conhecidos, aplicam todos os tipos de filtros e imperfeições — fotos verdes, roxas, granuladas…

A lista é grande: há calculadoras, despertadores analógicos, telefones de discar, rádios… Para iPad, há até um aplicativo, o Jamboxx (abaixo, à esq.), que imita aquele som “portátil” (os boom boxes) que os camaradas grudavam na orelha e carregavam por aí atormentado os inocentes nos ônibus.

Imagino que, no futuro, quando os e-books multimídia tiverem dominado a face da Terra, alguém vai recuperar um e-reader mais pobrinho entres os atuais, juntando uns PDFs de capa, folha de rosto e páginas, imitando o objeto que, então, terá desaparecido. Ou não?

Walt Whitman facts and senses

2010 July 21
by almirdefreitas

Às vezes, nada parece fazer sentido. Por qualquer razão, um cara pagou para registrar o domínio www.waltwhitmanisbadass.com e abrigar o site com este nome, Walt Whitman is Bad Ass (aqui). Seria algo como Walt Whitman é “fera”, “durão”, um terror” — ou, para ser mais direto (e com o perdão da expressão), Walt Whitman é foda. Ou fodão. Na home, este video dos Simpsons serve de introdução para alguns Walt Whitman factscomo aqueles que descrevem os feitos valentões de Chuck Norris, do Capitão Nascimento e, mais recentemente, de Kaká pós-cartãozinho vermelho.

Descubro ainda que uma empresa desenvolveu um tosco aplicativo para iPhone com mais  algumas piadas (aqui) — e na pudica App Store da Apple sobram astericos todas as vezes em que se escreve a**. O dono da ideia também se mobilizou para criar a página Walt Whitman is Totaly Bad Ass no Facebook (aqui). O avatar é esse aí do lado. Até agora pouco, contava com 36 fãs — bem menos que este singelo blog. E quando finalmente leio os facts me convenço de que nada, desde o início, precisava fazer sentido. Nem este post. E, quem sabe, nem esta vida.

Alguns fatos:

1) Walt Whitman espirra relâmpagos e tosse trovões.

2) Walt Whitman não gosta de rabanetes.

3) Walt Whitman tem um sexto sentido que lhe diz quando os roedores estão irritados.

4) Nada assusta Walt Whitman… nem mesmo os coelhos.

5) Os dois primeiros “W” de WWW significam Walt Whitman. O terceiro “W” significa melancia [watermelon]. E é melhor você acreditar… Walt Whitman adora uma boa melancia.

O que é melhor que um Moleskine novo?

2010 July 20
by almirdefreitas

Um Moleskine usado — bem usado, claro. No mundo inteiro, ilustradores pintam e bordam (e recortam, colam, escrevem…) nos seus caderninhos. Muitos fotografam as páginas e as postam em sites como o Flickr. A galeria abaixo traz uns bons exemplos.

Como sempre, recomendo ver as fotos em tela cheia — para isso, clique no botão “FS” abaixo, à direita. Para ver a legenda, clique no ícone “I” no alto da caixa.

¿Y?

2010 July 19
by almirdefreitas


Pergunta de segunda-feira.

Descendo

2010 July 16
by almirdefreitas

O que eu mais gosto nesse cartum é como ele – caricaturalmente verticalizado – se aproveita do formato de navegação na web. Haja scroll. O autor é  Alexandre Venancio, que mantém o ótimo site Sem Orelha (aqui) com Lina Molina.

Bad words

2010 July 13
by almirdefreitas

Não é para puritanos nem para politicamente corretos. Está voltando às livrarias o Dicionário do Palavrão e Termos Afins, um clássico do folclorista Mário Souto Maior (Editora Leitura 216 págs., R$ 29,90). Numa leitura rápida, percebe-se que a maioria quase absoluta das 3 mil palavras e expressões listadas se referem a um universo limitadíssimo: pênis, vagina, cópula, homossexuais, prostitutas e mais um par de coisas.

Há doses razoáveis de escatologia, que ficam ainda mais engraçadas quando o verbete se esforça por traduzi-las numa linguagem neutra. Outras expressões, populares, chegam a ser geniais. Souto Maior identifica as regiões em que as expressões são usadas e dá referências literárias. Nos exemplos a seguir, limito-me aos significados. Vale comprar o livro para ver o pacote completo.

Anistiar um rebelde: Ato de praticar a pederastia passiva, na gíria militar.

BBC: Diz-se da mulher que faz amor pela boca (B), pela boceta (vagina, B) e pelo cu (ânus, C).

Bolsa de Valores: órgão sexual feminino.

Doutor alisando cresce: pênis.

Garapa de Mulher: esperma.

Jogar com duas bolas: copular.

Largar a chinela: Manter relações sexuais.

Onde as costas perdem o nome: nádegas.

Paletó com medo de peido: Paletó muito curto.

Último espirro: Diz-se de quem é pequeno, de baixa estatura, gerado pela última gota da ejaculação paterna.

130 rostos de Harvey Pekar (1939-2010)

2010 July 12
by almirdefreitas

Para ver o restante, clique aqui.

Através da janela

2010 July 10
by almirdefreitas

Duas cenas com muito em comum: são dois monólogos, escritos por dois gênios, em duas adaptações espetaculares para o cinema. A primeira é de Quem Tem Medo de  Virginia Woolf?,  de Mike Nichols (1966), baseado na peça de Edward Albee; a segunda é de Os Vivos e Os Mortos, de John Huston (1987), adaptado do conto Os Dublinenses, de James Joyce. Os enquadramentos acabam, também, sendo muito semelhantes:, com os personagens olhando a escuridão e a desolação do mundo do lado de fora enquanto dizem textos tão bonitos quanto tristes. Tristes de trincar, para quem está com o antidepressivo em dia, com um Rivotril de reserva na gaveta.

Acima, a fala de Elizabeth Taylor, no filme de Nichols, segue com legendas. Já a de Donal McCann, abaixo, está no original, acompanhada do texto original de Joyce, que é um discurso indireto transformado em monólogo.

(…)

Gretta logo adormeceu.

Gabriel debruçou-se na cômoda e contemplou sem ressentimento os seus cabelos emaranhados, a boca entreaberta, ouvindo-lhe a profunda respiração. Então havia esse romance em sua vida: um homem morrera por ela. Quase já não o magoava pensar no pouco que ele, marido, representara em sua vida. Observava-a enquanto dormia, como se nunca houvessem vivido juntos. Seus olhos curiosos fitaram longamente o rosto e os cabelos, e ao pensar em como devia ser ela naquele tempo, no tempo da primeira juventude, uma estranha sincera piedade pela esposa invadiu-lhe a alma. Não ousava dizer, nem para si mesmo, que seu rosto já não era belo, embora soubesse que já não era o rosto pelo qual Michael Furey afrontara a morte.

Talvez não lhe tivesse contado toda a história. Seus olhos moveram-se para a cadeira sobre a qual ela atirara algumas roupas. Um cordel da anágua pendia no chão. Uma bota estava em pé, o cano dobrado para baixo; a outra tombada de lado. Pensou no tumulto que o agitara uma hora antes. De onde surgira aquilo? Da ceia, do tolo discurso, do vinho, da dança, da brincadeira quando se despediam no vestíbulo, do prazer de passear pelo cais sobre a neve? Pobre tia Júlia! Ela também logo seria uma sombra junto às sombras de Patrick Morkan e seu cavalo. Surpreendera esse lúgubre presságio em sua face, quando ela cantava. Muito em breve, talvez, estaria sentado no mesmo salão, vestido de preto, o chapéu de seda sobre os joelhos. Os reposteiros estariam cerrados e tia Kate, sentada a seu lado, chorando e assoando o nariz, contar-lhe-ia como tia Júlia morrera. Revolveria o cérebro à procura de palavras que pudessem consolá-la e só diria frases fúteis e vãs. Sim, isso logo iria acontecer.

O ar gélido do quarto fê-lo estremecer. Deslizou cautelosamente sob as cobertas e acomodou-se ao lado da esposa. Um por um, estavam todos se transformando em sombras. Seria melhor precipitar-se na morte no apogeu de uma paixão, do que extinguir e murchar lentamente com a velhice. Pensou como aquela mulher, adormecida a seu lado, ocultara por tantos anos a imagem do seu amado a afirmar-lhe que não queria viver.

Pranto generoso invadiu-lhe os olhos. Nunca se sentira assim por uma mulher, mas sabia que isto era amor. As lágrimas cresceram nos olhos e ele imaginou ver na penumbra do quarto um jovem parado sob uma árvore encharcada. Outras formas pairavam. Sua alma acercava-se da região habitada pela vasta legião dos mortos. Pressentia, mas não podia apreender suas existências vacilantes e incertas. Ele próprio dissolvia-se num mundo cinzento e incorpóreo. O mundo real, sólido, em que os mortos tinham vivido e edificado, desagregava-se.

Leves batidas fizeram-no voltar-se para a janela. A neve tornava a cair. Olhou sonolento os flocos prateados e negros, que despencavam obliquamente contra a luz do lampião. Era tempo de preparar a viagem para o oeste. Sim, os jornais estavam certos: a neve cobria toda a Irlanda. Caía em todas as partes da sombria planície central, nas montanhas sem árvores, tombando mansa sobre o Bog of Allen e, mais para o oeste, nas ondas escuras do cemitério abandonado onde jazia Michael Furey. Amontoava-se nas cruzes tortas e nas lápides, nas hastes do pequeno portão, nos espinhos estéreis. Sua alma desmaiava lentamente, enquanto ele ouvia a neve cair suave através do universo, cair brandamente – como se lhes descesse a hora final – sobre todos os vivos e todos os mortos.

(Tradução de Hamilton Trevisan)

Bichos no metrô

2010 July 8
by almirdefreitas

Em 1998, voltando do trabalho, o ilustrador Paul Middlewick estava esperando o metrô em Londres quando identificou as formas de um elefante no mapa das linhas. A partir daí, foi achando mais e mais animais ligando as linhas, estações e junções do bastante respeitável metrô londrino. A brincadeira se transformou num negócio, e Middlewick licenciou os desenhos para vários produtos, vendidos no site Animals on the Underground (aqui) e utilizados em campanhas institucionais da prefeitura. Acima, alguns exemplos.

Tentei identificar rapidamente algum bicho no paupérrimo metrô de São Paulo. O máximo que consegui (tudo bem que só gastei uns 5 minutos) foi algo parecido com uma cabeça de alce na parede – o que, em se tratando de um bicho morto, não deixa de ser meio deprimente. Além de ser muito mais ou menos, é, devo dizer, um desenho meio roubado, já que usei as linhas  ainda em construção e as de trem de superfície da região metropolitana. Não fosse assim, o metrô paulista renderia no máximo um louva-a-deus conceitual. E olhe lá.

O palavreado de James Joyce

2010 July 5
by almirdefreitas

Mais uma tira de Kate Beaton (aqui), desta vez aproveitando o conteúdo erótico das célebres carta de James Joyce à sua mulher, Nora Barnacle. Abaixo, a legendinha mais ou menos./1/ MISTÉRIOS DA HISTÓRIA /2/”Kate, você deveria bolar uma história em quadrinhos sobre as cartas de James Joyce a Nora Barnacle.” /3/ “Sem problema, deixa eu dar uma olhada nelas.” /4/ … /5/ “Eu escrevi uma carta para você…” “Fique longe de mim, James Joyce.”

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Nice job!
You now have 30 lives.
Use them wisely, my friend.

Konami Easter Egg by Adrian3.com

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