Esboço do universo

As imagens pertencem à série Momentum, do fotógrafo espanhol Alejandro Guijarro, e registram quadros negros em departamentos de física quântica mundo afora. Uns estão lotados de cálculos, outros completamente apagados. São bonitos mesmo  – clique em “FS’ para ver em tela cheia. Imagino só se perdem a graça para quem entende alguma coisa.

[Via My Modern Met]

Três vezes Glenn Gould

Sem me alongar demais na efeméride, hoje faz 30 anos que Glenn Gould morreu. No alto, foto de Gordon Parks, tirada em março 1956; no player acima, à esquerda (clique para ouvir), Variações Goldberg, BWV 988 – Aria, de Bach, na interpretação do pianista canadense. Abaixo, trecho de O Náufrago, romance em que Thomas Bernhard mostra como o contato com o gênio pode ser devastador para a vida e o caráter dos simples mortais. A tradução, para a edição da Companhia das Letras (144 págs., R$ 43,50), é de Sergio Tellarolli.

(…) Glenn não sucumbiu a essa doença pulmonar, pensei. O que o matou foi a falta de saída em cuja direção ele tocou sua vida ao longo de quase quarenta anos, pensei. Naturalmente, não desistiu do piano, pensei, ao passo que Wertheimer e eu desistimos, porque não transformamos o tocar piano na monstruosidade que isso se tornou para Glenn, uma monstruosidade da qual ele nunca mais escapou e da qual, aliás, nunca teve vontade de escapar. Wertheimer leiloou seu Bösendorfer no Dorotheum; eu, para não ser mais atormentado por ele, doei meu Steinway à filha de nove anos de um professor de Neukirchen, nas proximidades de Altmünster. A menina arruinou meu Steinway em pouquíssimo tempo, um fato que não me provocou dor; ao contrário: observei aquela destruição estúpida com um prazer perverso. (…) Eu tinha que tocar melhor do que Glenn, mas isso era impossível, estava fora de questão, e por isso abandonei o piano. Numa manhã de abril, não sei mais exatamente o dia, acordei e disse a mim mesmo: chega de tocar piano. E nunca mais encostei um dedo no instrumento.

Lendo no metrô

Underground New York Public Library

[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_0.jpg]20A Iliada / Homero (+ um Kindle)
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_1.jpg]00O Nascimento da Tragedia / Nietzsche
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_10.jpg]00Catch-22 / Joseph Heller
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_11.jpg]00Otelo, Shakespeare
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_12.jpg]00Revolutionary Road / Richard Yates
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_13.jpg]00Guerra nas Estrelas / Sean Williams
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_2.jpg]00Deus, um Delirio / Richard Dawkins
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_3.jpg]00Liberdade / Jonathan Franzen
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_4.jpg]00E Isto Um Homem? / Primo Levi
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_5.jpg]00Fences / August Wilson
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_6.jpg]00By Grand Central Station I Sat Down and Wept / Elizabeth Smart
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_7.jpg]00Poetica / Aristoteles
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_8.jpg]00Um Conto de Duas Cidades / Charles Dickens
[img src=https://www.almirdefreitas.com.br/blog/wp-content/flagallery/underground-new-york-public-library/thumbs/thumbs_9.jpg]00Nove estorias / J. D. Salinger

A marroquina radicada em Nova York Ourit Ben-Haim criou há poucos meses o site Underground New York Public Library, que reúne suas fotos de pessoas lendo no metrô – uma das marcas da cidade. A esta altura, o seu acervo já conta em centenas, de gente de todo tipo e títulos idem. A galeria acima reúne apenas algum exemplos dessa ótima ideia.

Clique em “I” para ler a legenda e (como não me canso de dizer) em “FS” para ver as fotos em tela cheia.

Tempestade na biblioteca

A ideia do artista espanhol Pablo Genovés é espetacular: compor digitalmente imagens dos chamados templos da cultura – museus, catedrais, bibliotecas – tomados violentamente pela natureza. Sinistro.

Clique em “FS” para ver em tela cheia.

[Via Basse Def]

Linguagem x linguagem

100 Postworks

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A ideia do casal de artistas Anna Gray e Ryan Wilson Paulsen era simples: colocar pessoas sérias segurando faixas ou cartazes com dizeres vários em meio a diferentes cenografias. O resultado é até certo ponto conhecido: aquela ironia bem particular que surge quando palavras e imagens conversam daquele jeito quase sempre meio desastrado. Na galeria acima, uma seleção de algumas das imagens da série 100 Posterworks, toda em P&B. Clique em “FS” para ver em tela cheia.

[Via My Modern Met]

Arte na rua – 2

The Written Word

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Na série The Written Word, o artista britânico Mobstr achou de fazer grafites por escrito, muitos deles brincando com a paisagem e própria grafitagem, fazendo um jogo metalinguístico bem esperto. Se quiser ver street art mais tradicional (se é que se pode usar esse termo), veja a parte 1.

Clique em “FS” para ver as fotos em tela cheia.

[Via TAXI]

Meia-noite em Paris

Na série Photographie de Nuit, do francês Richard Vantielcke, as barracas e lojinhas parecem mesmo oásis de luz e cor numa nada óbvia Paris, mergulhada na trevas.

Clique em “FS” para ver em tela cheia, vale a pena.