Cinema que vira música

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Duas vezes postei (aqui e aqui) músicas que, de um jeito ou de outro, foram inspiradas em livros. Desta vez, fui fuçar em outra matriz — o cinema. Claro, nenhuma destas faz parte da trilha sonora original do filme — aí não vale. Também procurei não contar com produções baseados num livro de igual ou maior força — Bonequinha de Luxo é um bom exemplo, embora fique claro que a origem Breakfast At Tiffany’s (aqui), do Deep Blue Something, é  mesmo  o filme, não o livro de Truman Capote.

São seis os exemplos. Acima, pela ordem: All Over Now / Eric Hutchinson, que foi buscar uns versos em Feitiço do Tempo (1993); Carlota Valdez / Harvey Danger, toda baseada em Um Corpo Que Cai (1958); Dirty Harry / Gorillaz, que pegou uma ideia na série iniciada com Perseguidor Implacável (1971); e Julieta dos Espíritos, com a banda B52, do filme homônimo de Federico Fellini (1965).

Abaixo, The Union Forever / White Stripes, diretamente de Cidadão Kane (1941), e, finalmente, Goodbye Yellow Brick Road / Elton John, de O Mágico de Oz (1939).

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Três músicas para o fim do mundo

O mundo, como é sabido, não acabou em 21 de maio de 2011 — o evento foi remarcado. Naquele dia, publiquei aqui uma galeria de fotos do Flickr com avisos para os incautos, enquanto Dean Praetorius (mais esperto) montou no The Huffington Post uma trilha de 22 músicas para o Armageddon. Peguei três delas emprestadas para este revival.

The End, The Doors
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It’s the End of the World as we know it (and I feel fine), R.E.M.
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Apocalypse Please, Muse
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(Publicado em 21/10/2011, a segunda vez que este blog safou-se do fim do mundo)

Três vezes Glenn Gould

Sem me alongar demais na efeméride, hoje faz 30 anos que Glenn Gould morreu. No alto, foto de Gordon Parks, tirada em março 1956; no player acima, à esquerda (clique para ouvir), Variações Goldberg, BWV 988 – Aria, de Bach, na interpretação do pianista canadense. Abaixo, trecho de O Náufrago, romance em que Thomas Bernhard mostra como o contato com o gênio pode ser devastador para a vida e o caráter dos simples mortais. A tradução, para a edição da Companhia das Letras (144 págs., R$ 43,50), é de Sergio Tellarolli.

(…) Glenn não sucumbiu a essa doença pulmonar, pensei. O que o matou foi a falta de saída em cuja direção ele tocou sua vida ao longo de quase quarenta anos, pensei. Naturalmente, não desistiu do piano, pensei, ao passo que Wertheimer e eu desistimos, porque não transformamos o tocar piano na monstruosidade que isso se tornou para Glenn, uma monstruosidade da qual ele nunca mais escapou e da qual, aliás, nunca teve vontade de escapar. Wertheimer leiloou seu Bösendorfer no Dorotheum; eu, para não ser mais atormentado por ele, doei meu Steinway à filha de nove anos de um professor de Neukirchen, nas proximidades de Altmünster. A menina arruinou meu Steinway em pouquíssimo tempo, um fato que não me provocou dor; ao contrário: observei aquela destruição estúpida com um prazer perverso. (…) Eu tinha que tocar melhor do que Glenn, mas isso era impossível, estava fora de questão, e por isso abandonei o piano. Numa manhã de abril, não sei mais exatamente o dia, acordei e disse a mim mesmo: chega de tocar piano. E nunca mais encostei um dedo no instrumento.

Se os discos fossem livros – 2

Mais um conjunto de discos transformados em livros pelo designer Christophe Gowans, o See Gee, que está com site novo na praça (aqui). Para ver a primeira rodada, clique aqui. Alguns destes estão à venda em formato cartão postal na The Rockpot por £ 8,50.