Little Free Library
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De primeira, achei simpática a ideia do projeto Little Free Library, que estimula a construção de casinhas de madeira para servir de minibibliotecas comunitárias – quem quiser, pode comprar uma pronta. Mas, bem, em seguida, ponderei que a boníssima intenção podia abrigar um civismo meio bocó de subúrbios caretas e intolerantes: vai que as comunidades botassem para circular em seu quintais, sei lá, tratados criacionistas, volumes de Seleções ou títulos do clube do livro da Oprah. Chato eu, eu sei. Daí que, entre a franca aceitação da civilidade do projeto (nenhum dúvida sobre isso) e a admissão da minha chatice nos seus resultados, fui dar uma conferida rápida nos livros que podiam ser identificados nas fotos do projeto. Muitas coisas não conheço, outras sei que são ruins, mas deu para achar vários títulos que vão do razoável ao excepcional, além de combinações curiosas. Se existisse alguma demografia da leitura com ótimas intenções (mas sujeita a acidentes), ela poderia ser entrevista nos seguintes acervos:
Ontario, Toronto (CAN): O Sentido de um Fim, de Julian Barnes (beleza de livro, mas infelizmente surrupiado); Memphis. Tennessee (EUA): A Audácia da Esperança, de Barack Obama, lado a lado com To Kill a Mockingbird, de Harper Lee, e A Selva, de Upton Sinclair (com bandeira americana na varanda, o dono é sem dúvida um democrata); Newburg, Wisconsin (EUA): Notas do Subterrâneo, de Dostoiéveski, e Dublinenses, de James Joyce, junto com um Reader’s Digest Condensed Books (comunidade bipolar, com o melhor colado no pior); Pflugerville, Texas (EUA): Canção de Salomão, de Toni Morrison (boa intenção, apenas).
Além de Estados Unidos e Canadá, há algumas casinhas dessas na Alemanha, Itália, Inglaterra, Austrália e até em Gana.
Adendo das 11h30: eu dizia antes, me fiando no mapa do Little Free Library, que não havia nenhuma minibiblioteca no Brasil – mas há, sim. Paulo Polzonof Jr. e Emanuela Siqueira me avisam (valeu!) que existe uma em Curitiba, inaugurada em dezembro último. Mais informações aqui.
Achei especialmente sintomática a parte em que o editor decide largar tudo e criar cabras. Ou, talvez mais ainda, quando o diretor de arte começa a beber pra valer.
[Via Mediabistro]
Discos & livros 2
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Mais um conjunto de discos transformados em livros pelo designer Christophe Gowans, o See Gee, que está com site novo na praça (aqui). Para ver a primeira rodada, clique aqui. Alguns destes estão à venda em formato cartão postal na The Rockpot por £ 8,50.
Mais dia menos dia, ia acontecer. A iDoLVine desenvolveu um sistema que permite a escritores autografar os seus livros à distância, com interação via internet. A assinatura pode ser virtual, num e-book, ou fisicamente mesmo, usando uma impressora RealPen, que faz o trabalho primitivo da caneta sobre a página do livro. A empresa já fez “noites de autógrafos” com, entre outros, Erica Jong, Margaret Atwood e Neil Gaiman, que estrela o barulhento vídeo de divulgação acima. Além de escritores, a iDoLVine está de olho também em celebridades de outras áreas, claro, para acabar com o sentido da vida dos caçadores de autógrafo analógicos.
Para quem se dispuser a morrer pelo estilo antigo, recomendo a leitura de um antigo post deste blog.
Partindo de um texto sobre infância e fantasia (aqui), Joe Pease meio que botou Peter Pan num skate nesse vídeo intitulado Peter Brings the Shadow to Life. A música é Nick Cave and Warren Ellis.
Bom fim de semana a todos.
[Via Dangerous Minds]
Booksters
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Lembram-se dos livros atropelados da inglesa Spinelles Classics, publicados aqui uns tempos atrás? Parecidos com eles são os pôsteres da série Booksters, bolada pelo designer gráfico sueco Mattias Sahlén. À diferença daqueles, estes são mais ortodoxos na composição: é letra sobre letra e acabou. Legal, mas continua não sendo prático – como Sahlén, inclusive, procura demonstrar, provocando pelo exagero os mais tradicionalistas. “Tente levar estes pôsteres de 100 x 70 cm para um ônibus e ter uma leitura confortável. Eu te desafio”, escreve.
[Via To be Shelved]
Não são assim um Vang Gogh ou um Velásquez, mas está ótimo para um software de pintura automatizada. Saíram do pincel (digamos assim) do web artista kynd, que está cheio de experimentos e estudos interessantes na área.
São antiguinhas, mas valem registro algumas das capas da Penguin inglesa para os romances de Ian Fleming (clique na imagem para ampliar). No total, a coleção traz 15 moças coloridas e tipografadas.
[Via Caustic Cover Critic]
O vídeo de Johnny Kelly e Mike Wyeld é oficialmente o conteúdo mais reprisado deste blog — terceira vez. As pessoas adoram. Não consigo imaginar por quê.


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