Trecho promissor (para o bem ou para o mal) das primeiras páginas de A Morte do Pai (Companhia das Letras, 512 págs., R$ 49,50), que abre uma série de seis volumes ficcionais-memorialísticos de Karl Ove Knausgård, lançado agora no Brasil com tradução direta do norueguês de Leonardo Pinto Silva. Com milhares de exemplares vendidos desde o lançamento, em 2009, a série completa se chama Minha Luta. Precisa ter coragem prum título desses.
(…) Tão evidente quanto o impulso de esconder corpos é o fato de que precisamos levá-los para o térreo o mais rápido possível. É quase inconcebível um hospital que transporte seus cadáveres para o topo do prédio, um hospital em que as câmaras refrigeradas e as salas de necropsia estejam situadas nos andares mais altos. Os mortos são mantidos o mais perto possível do térreo. E o mesmo princípio é válido para as empresas que se encarregam deles: uma seguradora pode muito bem ter seus escritórios no oitavo andar, mas uma funerária jamais. Todas as funerárias funcionam o mais próximo possível do nível da rua. Por que deve ser assim é difícil dizer, poderíamos ser tentados a acreditar que isso se baseou numa antiga convenção, a qual inicialmente tinha uma razão prática, o frio do porão, por exemplo, mais adequado para conservar corpos, e que esse princípio durou até nossa era de refrigeradores e câmaras frias, não fosse a noção de que transportar cadáveres para o alto de edifícios parece algo contrário às leis da natureza, como se altura e morte fossem incompatíveis. Como se fôssemos tomados por uma espécie de instinto ctônico, algo no nosso íntimo que nos compele a guiar a morte à terra de onde viemos.
30 designs de capa, em 30 línguas diferentes, para Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Na ordem: espanhol, búlgaro, grego, tcheco, alemão, eslovaco, árabe, sueco, holandês, francês, italiano, armênio, japonês, norueguês, português, russo, dinamarquês, catalão, turco, polonês, inglês, hebraico, chinês, persa, finlandês, bósnio, húngaro, albanês, coreano.
Se quiser ver as capas no detalhe, clique com o lado direito do mouse e abra a imagem numa nova aba – lá dá para dar um zoom decente. Eu sei, eu sei, é meio complicado, mas a culpa é do WordPress que não facilita a minha vida.
A segunda cena de filmes bons e meio esquecidos foi tirada de Closely Watched Trains (1966), de Jirí Menzel. O filme, que levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano seguinte, acompanha as desventuras do aprendiz de sinaleiro de ferrovia Milos Hrma, que busca uma iniciação sexual decente numa Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Já bem mais experiente, o sinaleiro Hubicka mostra na maravilhosa sequência acima como fazer spanking numa mulher com o que mais se tinha à mão no serviço público.
Para ver o filme na íntegra, com legendas em inglês, clique aqui.
The Topless Pulp Fiction Club
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Um grupo de garotas está tomando os parques de Nova York de peito aberto, munido apenas de um catálogo completo de livros bem vagabundos: é o The Topless Pulp Fiction Club. Aproveitando que a lei da cidade permite o topless, elas fazem questão de aproveitar o verão (e até o inverno) à vontade como os rapazes. Apesar do título do clube, elas dizem que é permitido ler uns livros melhorzinhos, desde que se mantenha o espírito menina-má: já circularam pela grama Steinbeck, Faulkner, Anaïs Nin e Nabokov, entre outros. De qualquer modo, uma beleza.
Clique (mesmo) em “FS” para ver em tela cheia. Mais fotos e informações, aqui.
[Via Book Patrol]
Feitas com tinta, liquid paper e café, as “pinturas em movimento” experimentais de Jake Fried não querem saber de economia. A quantidade de vídeos aqui acompanha o estilo.
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The Book as Art
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O artista Richard Tuttle faz essas interpretações físicas de obras clássicas da literatura em suas próprias capas. Acima, na ordem: 1984 e A Revolução dos Bichos, George Orwell; Catch-22, Joseph Heller; Drácula, Bram Stocker; Ficções, Jorge Luis Borges; Hamlet, William Shakespeare; O Velho e o Mar, Ernest Hemingway; O Corvo, Edgar Allan Poe; Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley; O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger. São peças únicas, autodenominadas obras de arte, e não muito baratas: à venda na Franklin Books, os preços variam de US$ 1295 a US$ 8985. Algumas são até sacadinhas. Mas eu sei lá, não comprava não.
[Via Flavorwire]
À medida que as oportunidades surgirem – e o tempo (meu) e os direitos autorais (dos outros) permitirem – o blog trará cenas de filmes que valem a pena serem vistos ou revistos. Tentarei não ser óbvio nas escolhas. Para começar, essa doidera do ótimo Secrets Behind de Wall (1965), do japonês Koji Wakamatsu, filme que mostra a vida de famílias espremidas nos cubículos de um conjunto habitacional na periferia de Tóquio. Com óbvia influência da nouvelle vague, traz aquele mix político-existencial dos anos 60, acrescido do conhecimento que Wakamatsu tinha da pobreza e do submundo do crime no Japão. Já adianto que haverá outras cenas dos filmes dele por aqui, sempre estranhíssimos.
Para ver o filme na íntegra, com legendas em inglês, é só clicar aqui.
Vídeo da exposição Arquivo Bolaño 1977-2003, no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB) – vai até 30 de junho, para quem se animar. O trecho é do livro Antuérpia.
Ex Libris
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A galeria acima reúne alguns exemplos da coleção de ex libris de Richard Sica, reunidos por Will Schofield no sempre bom 50Watts. As imagens incluem obras de artistas como o russo Konstantin Kalinovich, os alemães Walter Helfenbein e Karl Blossfeldt e os tchecos josef Liesler e Josef Váchal. Sinistros, mas – como eu sempre digo – a culpa não é minha.
Clique em “FS” para ver em tela cheia.













