Passa-se o ponto

the-reader

Bom, enrolei o que pude antes de anunciar o inevitável: este Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro está baixando as portas.

Primeiro, porque um raio dum pau no Banco de Dados SQL sumiu com as imagens de cinco anos de posts; reinseri-las na unha (por mais que tivesse chegado a cogitar tal coisa) está, naturalmente, fora de questão.

Segundo, porque o UOL, onde hospedei o blog no mesmo período, andou querendo aprontar comigo na mesma proporção do que gasto com eles mensalmente. Talvez eu migre o conteúdo para outro host, mas isso ainda não é certo.

Terceiro, porque – e esta é uma boa razão – será um estímulo para eu colaborar com mais frequência no Brasil Post, onde cometi uns poucos textos nos últimos meses. Além de novos posts, minha intenção é reviver por lá alguns dos melhores deste finado. A gente pode se acostumar com a morte, mas não lidamos bem com a ideia de que o que andamos despejando na nuvem, em nosso nome, possa vir a desaparecer, como se nem tivesse existido.

Então, antes que esta página se apague (brrr), convido os eventuais interessados a visitar meu secos & molhados lá no Brasil Post (clique aqui). Favoritem, curtam, sigam.

Nos vemos. Abraços e beijos a todos.

Os escritores de Roman Muradov

O russo radicado em São Francisco Roman Muradov é um dos ilustradores mais legais da praça – colabora com revistas e jornais, desenha quadrinhos, publica livros e alimenta um tumblr onde coloca tudo isso mais seus rabiscos e obsessões pessoais – como as ilustrações dos escritores de que gosta, alguns presentes na galeria acima. Vale a pena dar uma olhada geral nos sites – prints de várias ilustrações e quadrinhos de estão à venda, basta clicar nos links.

Se algum rosto acima escapar, clique em “I” para identificar o escritor. Para tela cheia, “FS”.

Uivo

A Globo Livros acaba de lançar por aqui Uivo, o poema épico de Allen Ginsberg, em versão graphic novel, com ilustrações feitas por Eric Drooker (274 págs., R$ 34,90). São as mesmas imagens que foram exibidas na animação que faz parte no filme homônimo de 2010, com James Franco no papel de Ginsberg e que passou em branco pelos cinemas brasileiros.

Para quem se interessar, há diversos gravações de Ginsberg fazendo leituras públicas de Uivo, e algumas podem ser conferidas aqui, junto com várias outras obras.

Dino Buzzati, desenhos e pinturas

Anos atrás, publiquei um texto sobre a obra de Dino Buzzati em que citava, logo no começo, as pinturas e desenhos da lavra do escritor. E acabou que — com a criação deste blog depois — fiquei devendo mais imagens além das que ilustravam a matéria na época e não aparecem hoje no site. Saldo a dívida na galeria acima, que inclui imagens que ilustraram capas de livros de Buzzati, outras do infanto-juvenil A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília (Berlendis & Vertecch, 160 págs., R$ 51) e do Poema em Quadrinhos (Cosac Naify, 224 págs., R$ 44), lançado por aqui no passado. Mas há também desenhos pop e quadros difíceis de achar por aí.

Como sempre, clique em”FS” para ver em tela cheia e em “I” para ler a legenda, quando houver.

Why you so serious?

Com a devida licença pelo assunto mais pop que o habitual nestas plagas, a pergunta do Coringa de Heath Ledger em Cavaleiro das Trevas poderia servir para quase toda a recente geração de super-heróis do cinema — inclusive de filmes que nem estrearam, como os acima. Cartazes e fotos de divulgação de produções como essas, de orçamento e expectativas de bilheteria milionárias, costumam ter uma dúzia de variações, mas quase sempre há uma — pelo menos uma — em que o herói posa entre pensativo e melancólico.  Muitas vezes, deprimido mesmo. Não era nada habitual nem nos comics originais de décadas atrás nem nas primeiras produções de cinema. Esse papel cabia a alguns policiais durões e pistoleiros do velho oeste, mas quase nunca para esse povo de colante colorido.

Alguém já escreveu (Umberto Eco, talvez? Não lembro) que a cultura contemporânea — mesmo a do mais puro entretenimento — perdeu aquele ímpeto otimista do para-o-alto-e-avante. E já faz um tempinho: os entendidos sabem que essa mudança no semblante heroico começou nos próprios quadrinhos — eu mesmo, um quase-ignorante no assunto, lembro bem quando Frank Miller, uns 30 anos atrás, devolveu Batman às trevas em que ele se encontra agora no mundo cinematográfico. E com a qual todos parecem querer flertar.

Descendo

O que eu mais gosto nesse cartum é como ele – caricaturalmente verticalizado – se aproveita do formato de navegação na web. Haja scroll. O autor é  Alexandre Venancio, que mantém o ótimo site Sem Orelha (aqui) com Lina Molina.