Terror sem fim

Depois do sucesso do romance, tanto lá fora (aqui e aqui) quanto no Brasil, Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Seth Grahame-Smith (Intrínseca, 320 págs., R$ 29,90) baseado na obra de Jane Austen, virou quadrinhos. Semanas atrás já havia sido anunciado o projeto de filmar a coisa. É  óbvio que a receita será explorada até se esgotar – e, de fato, a brincadeira (porque não passa disso) é um fenômeno.

Hora do pau, Oscar


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Na ponta da correia de transmissão da web, me chega – via Universo HQ, Universo Fantástico, Literatsi e, finalmente, a sempre ligada Laila – a notícia da existência do site Hey, Oscar Wilde! It’s Clobberin’time! Com esse nome sensacional (“It’s Clobberin’time” é uma expressão distintiva do Coisa, do Quarteto Fantástico), o site reúne ilustrações de escritores, cenas e personagens de ficção (entre outros desgarrados) feitas por quadrinistas. Entre os autores preferidos, William S. Burroughs, Mark Twain, Hunter S. Thompson e Ernest Hemingway.

Acima, na ordem, as duplas são as seguintes: Franz Kafka, por Peter Kuper; Chuck Palahniuk, por Brian Christopher; Salman Rushdie, por Dave McKean; e Raymond Carver, por Rob Stolzer.

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Eu estava devendo outras combinações de clássicos de HQ com literatura feitas por o cartunista Robert Sikoryak, a exemplo do Batman/Dostoiévki e Peanuts/Kafka. Para compensar, seguem três de uma só vez: Garfield com Fausto, de Goethe; Superman com O Estrangeiro, de Albert Camus; Tales from the Crypt com O Morro dos Ventos Uivantes, de Emile Brontë.

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Gregor Charlie Brown

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Essa foi contrabandeada do The Book Bench, da New Yorker, o blog que este quer ser quando crescer. É um post sobre o cartunista Robert Sikoryak, que faz paródias de clássicos literários em tiras cujos traços são igualmente clássicos. O resultado, como esse cruzamento entre Peanuts e A Metamorfose, de Franz Kafka, é sensacional.

Como eu gosto de um série, vou continuar postando aqui uns achados de Sikoryak.

Edgar Allan Poe em Springfield

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Aqui vai, como prometido, uma segunda adaptação de obra literária para desenho animado. Desta vez, algo mais leve que a versão japonesa para Kafka, embora ainda estejamos no território do fantástico: O Corvo, de Edgar Allan Poe, num episódio especial de Halloween de Os Simpsons — para quem quiser conferir, foi o terceiro da segunda temporada. O episódio, aliás, ganhou um verbete próprio na Wikipedia (Treehouse of Horror). Nessa história, narrada pelo ator James Earl Jones, Bart encarna o corvo que, com seu never more, enlouquece Homer de ódio. Claro.

Teje prezo

hitler

No livro A Biblioteca Esquecida de Hitler (Companhia das Letras, 328 págs., R$ 46), lançado há pouco, o historiador Timothy W. Ryback mostra que Adolf Hitler era (não bastasse o principal) semianalfabeto. Todo mundo sabia que era péssimo pintor e mau escritor, mas – para mim, ao menos – a informação de que cometia erros grosseiros ao escrever é surpreendente. Ao analisar fragmentos de textos inéditos do ditador, Ryback escreve:

“Aos 35 anos, Hitler nem sequer dominava a ortografia básica. Ele escreve ‘es gibt’ – “existe” – foneticamente, em vez de gramaticalmente, como ‘es giebt’, e a palavra alemã para prisão, Gefängnis, com dois esses, o equivalente a escrever ‘prizão’.” Depois, nos esboços de Mein Kampf, erra ‘a grafia de mais elevado – hohre em vez de höhere’”.

Sobre Mein Kampf, aliás, Ryback conta que a edição foi dificílima. Sete companheiros aliados de Hitler tiveram de trabalhar o texto bruto, cheio dos “piores adjetivos” e “excesso de superlativos”. Sendo quem era, pode-se imaginar o tamanho da resistência do autor em aceitar mudanças.

Um desses “editores” foi Rudolf Hess – aquele mesmo que em 1941 entrou sozinho em um avião, voou para a Grã-Bretanha e pulou de paraquedas sobre a Escócia para tentar negociar um acordo maluco de paz com o Duque de Hamilton. Acabou “prezo” na Torre de Londres e chamado de doido por Hitler.

(em tempo: uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas aproveitei o post para colocar no blog um trecho de Hitler no Leblon, de Allan Sieber)