Passa-se o ponto

the-reader

Bom, enrolei o que pude antes de anunciar o inevitável: este Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro está baixando as portas.

Primeiro, porque um raio dum pau no Banco de Dados SQL sumiu com as imagens de cinco anos de posts; reinseri-las na unha (por mais que tivesse chegado a cogitar tal coisa) está, naturalmente, fora de questão.

Segundo, porque o UOL, onde hospedei o blog no mesmo período, andou querendo aprontar comigo na mesma proporção do que gasto com eles mensalmente. Talvez eu migre o conteúdo para outro host, mas isso ainda não é certo.

Terceiro, porque – e esta é uma boa razão – será um estímulo para eu colaborar com mais frequência no Brasil Post, onde cometi uns poucos textos nos últimos meses. Além de novos posts, minha intenção é reviver por lá alguns dos melhores deste finado. A gente pode se acostumar com a morte, mas não lidamos bem com a ideia de que o que andamos despejando na nuvem, em nosso nome, possa vir a desaparecer, como se nem tivesse existido.

Então, antes que esta página se apague (brrr), convido os eventuais interessados a visitar meu secos & molhados lá no Brasil Post (clique aqui). Favoritem, curtam, sigam.

Nos vemos. Abraços e beijos a todos.

Tuítes & retuítes

Tuítes & retuítes

A equação de Ang Lee

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Mas antes que a retrospectiva de férias comece, reproduzo meu texto sobre o filme As Aventuras de Pi, publicado (numa versão mais compacta) na edição deste mês da revista BRAVO!, para onde eu não escrevia fazia mais de dois anos.

Bom Natal e Ano-novo a todos. E até a volta.

O que é preferível: uma história com todas as facilidades do realismo, mas aterrorizante, ou uma que seja capaz de maravilhar, ainda que muito pouco verossímil? De maneira genérica (e evitando o spoiler), é mais ou menos essa a pergunta que o protagonista de As Aventuras de Pi faz lá pelo fim do filme, certo de que a resposta só pode ser uma, em se tratando da aventura de um menino indiano à deriva durante sete meses num bote no Oceano Pacífico, acompanhado por um tigre-de-bengala feroz chamado Richard Parker.

Não há muita dúvida mesmo, e não apenas por causa do argumento da história, mas também porque Ang Lee não desgrudou da ideia de colocar os recursos cinematográficos, narrativos e técnicos, a serviço das questões estéticas e éticas feitas por Yann Martel em seu romance, A Vida de Pi. A projeção em 3D, por exemplo, está muito distante de ser gratuita – só desavisados acham que imagens em três dimensões estejam a serviço do realismo. Do começo ao fim, As Aventuras de Pi vai acumulando uma coleção impecável de enquadramentos abertos, em que a Índia mais parece um paraíso na terra e o Pacífico um programa obrigatório para qualquer bom náufrago. É bonito mesmo, ainda que às vezes se perceba uma ponta de ironia bolly e hollywoodiana.

A filmagem dos planos a partir do cenário limitado do bote foi igualmente cuidadosa, e a soma das tomadas permitiu que Lee transformasse em cenas espetaculares as epifanias que Pi vai relatando no romance: o tráfego congestionado de peixes na vida submarina, a noite pesada de estrelas sobre um mar tão tranquilo que parece um espelho, a visita ruidosa de uma baleia no meio da noite. Às vezes, chega a ser estarrecedora a fidelidade de Lee a detalhes da narrativa. Detalhes mesmo, quase imperceptíveis de tão pequenos – como a corrida em círculos da hiena no bote superpovoado de animais ou o momento em que Richard Parker sente um ligeiro desconforto ao colocar a pata na lona do barco.

Por sorte, Lee não manteve a obsessão mimética em relação às questões existenciais de Martel, que no romance se perde um pouco em meio ao excesso de simbolismos e barroquismos em torno da religião e da ética entre humanos e animais. Ao contrário, o diretor chega a criar uma sequência inteira (o salvamento do tigre) que não existe no texto para sintetizar o essencial: a descoberta de Pi de que sua sobrevivência dependia da sobrevivência de Richard Parker. Ficou bonito também.

Na sua mistura de Avatar com Robinson Crusoé, o filme de Ang Lee pode acabar estendendo mais ainda o alcance do maravilhamento da história de Pi. Um ganho extra e tanto para a obra de Martel, que vai acumulando dívidas com terceiros: já devia o argumento, a “centelha de vida”, a Moacyr Scliar, de quem “emprestou” a imagem de um garoto com um felino feroz num bote. Agora, pode ver a fatura crescer com uma versão que reduz ainda mais a eventual dúvida de que a melhor história é aquela em que Deus, longe do realismo opaco, está presente.

O escritor que não conseguia ler

Semana que vem chega às livrarias brasileiras o novo livro de Oliver Sacks, O Olhar da Mente (Companhia das Letras, 230 págs., R$ 44). Entre as histórias contadas pelo neurologista mais pop do mundo está a do escritor canadense Howard Engel, que, numa bela manhã de 2001, descobriu, olhando para a primeira página do jornal, que não conseguia mais ler. “Eu podia ver que as letras que o compunham eram as 26 letras do alfabeto inglês, com as quais eu estava habituado, [mas] quando eu as focalizava, ora pareciam cirílico, ora coreano.”

A causa da desgraça, segundo descobriu logo depois, era um derrame no lobo occipital esquerdo, em que se localiza o que os médicos chamam de “área de formação o visual das palavras ou, mais informalmente, de caixa de letras do cérebro”. A grande surpresa foi que ele sabia ainda escrever, mesmo sem entender patavina do que colocava no papel: um caso de alexia (incapacidade de ler) sem agrafia (incapacidade de escrever), muito bem contada na animação acima, feita por Lev Yilmaz para a NPR.

O mais notável do texto de Sacks é a simplicidade — e extrema clareza — que ele usa para explicar como funciona o mecanismo da leitura no nosso cérebro, mostrando que a capacidade humana inata de ler é um desdobramento da habilidade, adquirida com a evolução, de decodificar imagens. Tem mais: uma lesão como a Engel, ou uma doença degenerativa na mesma região, pode provocar o oposto da alexia, a alucinação lexical ou letras fantasmas — é quando o paciente vê “texto, palavras isoladas, letras individuais, números ou notas musicais”.

Creepy.

Publicado em 18/11/2010

Três músicas para o fim do mundo

O mundo, como é sabido, não acabou em 21 de maio passado — na verdade, o evento foi remarcado para hoje. Naquele dia, publiquei aqui uma galeria de fotos do Flickr com avisos para os incautos, enquanto Dean Praetorius (mais esperto) montou no The Huffington Post uma trilha de 22 músicas para o Armageddon. Peguei três delas emprestadas para este revival, para encerrar bem a semana. A semana.

The End, The Doors
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It’s the End of the World as we know it (and I feel fine), R.E.M.
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Apocalypse Please, Muse
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O 11 de Setembro ao vivo

Como todo mundo sabe, os atentados de 11 de Setembro completam dez anos no domingo agora, e eu tinha a vaga pretensão de fazer uma lista dos livros de ficção que só existem por causa deles — alguns muito bons. Mas acabei optando pela não-ficção e por outra mídia, com esse vídeo compilado pela Internet Archive, uma fabulosa biblioteca digital que reúne livros, filmes, música, programas de TV e páginas de internet do passado. O que se vê acima é um sumário da cobertura televisiva da tragédia da manhã ao fim da tarde, com 15 entradas — ao vivo — de emissoras de vários países: Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Rússia, Canadá, México e Iraque.

Para quem gosta de jornalismo, narrativa e edição. Tem lá seus 15 minutinhos. Mas vale, garanto.

Títulos alternativos reloaded

Mais rápida que eu, a Josélia Aguiar fez no seu sempre ótimo blog do Painel das Letras um post sobre o Tumblr Better Book Titles. O site convida os leitores a bolar títulos que, num esforço de síntese, já sejam um resumo dos livros, com capas já alteradas e tudo. Além de resumos, aparecem trocadilhos, provocações e adaptações para os dias de hoje, sempre na gozação. Conformado com o meu atraso (é dura a concorrência…), selecionei oito deles (clique na imagem para ampliar), mas há outros no blog da Josélia e, claro, no site original. Na ordem:

Culpando as Mulheres por Tudo (Paraíso Perdido, John Milton), Escolas Públicas do Texas (Fahrenheit 451, Ray Bradbury), O Aluguel Estava um Inferno de Caro! (Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski), Crianças Dizem as Coisas Mais Danadas (Reparação, Ian McEwan), Nunca Dê Ouvidos a Sua Mulher (Macbeth, William Shakespeare), Nunca Misture Uísque com Sacerdócio (O Poder e a Glória, Graham Greene), Já Chegamos? (A Estrada, Cormac McCarthy), Tamanho Faz Diferença (Viagens de Gulliver, Jonathan Swift).

Reclames

Título, olho, legenda, estouro, crédito, revisão, estouro, título… Difícil mudar de assunto quando se está no meio de um fechamento pesado de revista. O máximo que dá para fazer é buscar alguma coisa correlata: não seria mau se no fim entrassem anúncios como os da galeria abaixo. Meu preferido é o da Western Eletric, anunciando o dia que todos seriam estrelas… sem esquecer, claro, do reclame da máquina de somar e do B 200, o angry young computer.

Será que o futuro rirá de nós assim? Temo que sim.

Reclames

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